Nem tudo em Boa Vista lembra o turista de que ele está em um dos estados que pertencem à Amazônia Legal: apesar do calor intenso, não se vê na cidade a mata densa e tropical que povoa nosso imaginário. Em Roraima, a paisagem assume outras feições: campos a perder de vista, cachoeiras que despencam do alto das serras, platôs pré-históricos que mais parecem navios de outro planeta ancorados no horizonte.
Até a capital, planejada na década de 1940, é incomum: seu desenho urbanístico, em forma radial, imita o de Paris. Mas Boa Vista é apenas o ponto de partida para descobrir um estado que pouquíssimos brasileiros conhecem, e que gradualmente vem ganhando a atenção dos ecoturistas. Maciços como o de Serra Grande e da Serra do Tepequém, por exemplo, escondem majestosas quedas d´água. Para alcançá-las, é preciso embrenhar-se em trilhas a pé ou sobre bicicletas.
Quem gosta de andar não pode perder também a expedição ao topo do Monte Roraima, no Parque Nacional homônimo, uma caminhada de longo curso que consome sete dias. O belo visual serviu de inspiração para o escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle (autor de O Mundo Perdido) e de cenário para filmes hollywoodianos: aqui foram filmadas cenas de Jurassic Park e pesquisadas paisagens para a animação Up - Altas Aventuras. É, em todos os sentidos, o ponto alto de qualquer viagem ao estado de Roraima.
Site: http://www.makunaima.com
Site: http://www.ciaeco.tur.br
Boa Vista está assentada sobre a margem direita do Rio Branco, que cruza todo o estado de Roraima até desaguar no Rio Negro. Ao sul da capital, o Estado é dominado pela planície amazônica, com trechos alternados de floresta densa e campos abertos pontilhados por buritizais. Ao norte, conforme o Planalto das Guianas se aproxima, as altitudes sobem e chegam ao ponto máximo na Serra de Pacaraima, que faz divisa com a Venezuela e a Guiana.
É ali que fica o Monte Roraima, 2.734 metros sobre o nível do mar. Ao norte e ao oeste, o estado tem solo rico em minérios como o ouro e a cassiterita - e até diamantes. Não por acaso, essas terras ainda são disputadas por grupos indígenas e corporações mineradoras.
Em muito graças à diversidade de altitudes e de flora, existe também uma variedade de espécies: são mais de 450 aves catalogadas em Roraima, como a jandaia, o canário-tipió, o polícia-inglesa, a biguatinga e um chororó endêmico do estado, cujo nome científico é Cercomacra carbonaria. Nos rios, os peixes mais abundantes são o pirandirá, a matrinchã, o filhote, o surubim, o aracu e o pacu. É comum também avistar jacarés na água, entre eles as espécies popularmente conhecidas como jacaré-tinga, jacaré-açu e jacaré-diri-diri.
Em ambiente terrestre, já foram observados bichos em risco de extinção como o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro, a onça-pintada, o cachorro-vinagre e a ariranha. Um animal introduzido pelos colonizadores portugueses no século 17, de fundamental importância para quem vive nos campos roraimenses, é o cavalo-lavradeiro, que aqui desenvolveu uma variedade mais veloz e resistente que a original.
Os primeiros habitantes da região - índios das etnias ianomâmi, macuxi, taurepang, ingarikó, wapixana, waimiri-atroari e outras - vivem hoje em Roraima em 32 terras reconhecidas e delimitadas pelo governo federal. A maior delas é a Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, com 1,7 milhão de hectares, também uma das maiores do país. No começo do século 18, chegaram holandeses e portugueses disputando as margens dos rios Negro e Branco. A batalha foi vencida pelos portugueses, com a implantação de núcleos de colonização e a construção, em 1775, do Forte São Joaquim.
A mistura foi completada pelos nordestinos que chegaram no começo do século 20, espantados pela seca e atraídos pela possibilidade de fazer dinheiro com a extração das riquezas minerais. O surto de migração se repetiu nos anos 1980, também motivado pela exploração de ouro e diamantes. Hoje, boa parte da população roraimense trabalha em cargos públicos. Uma boa parcela vive do extrativismo e do cultivo de arroz, feijão, milho e mandioca.
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