Tudo começa com uma pequena fissura no solo. Você passa por ela, enfrenta um rapel de 72 metros dentro de uma caverna com um lago e depois mergulha mais 18 metros. Bonito, a cidade do desafiador Abismo Anhumas, é também a cidade da tranquila flutuação no Rio da Prata, onde basta deixar-se levar pela correnteza para sentir-se um peixe no meio de tantos outros.
Pronta para receber dos mais ousados aos mais inexperientes, esta pequena cidade sul-matogrossense há tempos já é referência nacional em ecoturismo. Em 2009, inaugurou seu próprio aeroporto para poder mostrar a um número ainda maior de turistas as concorridas belezas da região, famosa pelas águas incrivelmente cristalinas de seus rios.
Próxima à cidade fica a Serra da Bodoquena, uma área nas bordas do Pantanal repleta de cavernas e grandes extensões de mata preservada, transformada no ano de 2000 no Parque Nacional da Serra da Bodoquena. A reserva ainda está em fase de implantação, mas já é um passo importante para proteger o valioso patrimônio natural da região de Bonito. Sobretudo porque se trata do primeiro, e até agora único, Parque Nacional no Mato Grosso do Sul.
A grande responsável por atrair os turistas para a região é a transparência das águas dos seus rios principais: da Prata, Formoso e Sucuri. Ela é resultado da alta concentração de calcário no solo da região, que age como um coagulante, depositando as impurezas no fundo do rio e deixando à vista a fauna e a vegetação subaquática. Em toda a região, a paisagem característica é a do Cerrado, com influência da Mata Atlântica. É a maior extensão de florestas preservadas no Estado.
Dada a proximidade com o Pantanal sul-matogrossense e os grandes trechos de mata nativa, a fauna de Bonito é riquíssima. É fácil encontrar diversos pássaros e animais na mata, como emas, araras, jacarés, cervos-do-pantanal, macacos-prego, cotias e lobos-guarás. O udu-de-coroa-azul é a ave-símbolo da cidade - e já virou até selo.
Nos rios, nem é preciso mergulhar para ver com clareza as várias espécies de peixes que habitam a região, como piraputangas e dourados enormes. Bonito é também habitat de sucuris, e caso você encontre uma delas durante o passeio, não se preocupe: com tanta fartura de alimento na região, elas não estão nem aí para os turistas.
Antes da chegada do homem branco, viviam nas proximidades da Serra da Bodoquena povos indígenas como os guaianás, os chamacocos e os cadiueus. A partir do século 18, o território passou a ser ocupado por levas de colonos paulistas, gaúchos e mineiros. Em 1915, o que era apenas uma fazenda, conhecida como Rincão Bonito, virou um distrito da cidade de Miranda, chamado Distrito de Paz de Bonito. O distrito virou cidade em 1948 e ganhou o nome que conhecemos hoje. Seus cerca de 18 mil habitantes atualmente têm na pecuária e no turismo suas principais fontes de renda.
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