
Muita gente gosta de chamar este pedaço do Brasil Central de “deserto”. Mas trata-se de um deserto curioso, pois, em meio ao clima seco e à aridez da paisagem, o visitante depara com cachoeiras, chapadões, corredeiras, fontes cristalinas cor de esmeralda e um rio excelente para a prática de rafting e canoagem, tudo isso em grande parte protegido pelo Parque Estadual do Jalapão.
Como desvendar esse destino selvagem? Uma opção é atravessando longas estradas de terra em veículos 4x4, às vezes percorrendo mais de 100 quilômetros para chegar a uma atração. A recompensa se escancara pela janela, na beleza do contraste entre o azulão do céu e os tons de terra das formações rochosas que preenchem o horizonte. Outra alternativa, esta para os que gostam de grandes aventuras, é descer as corredeiras do Rio Novo num bote de rafting. São três dias de expedição, acampando em praias de areia branca, por um dos rios mais cênicos do país. Tão perfeito que a água é até potável.
Veja alguns roteiros sugeridos pelo Viagem na Natureza
1 dia: na região de Mateiros, a melhor atração para quem vai só dar uma espiada no Jalapão é a Cachoeira da Velha.
3 dias: ainda nos arredores de Mateiros, vá à Cachoeira do Formiga e também às outras atrações que pertencem à área do Parque Estadual do Jalapão: são dunas com mais de 20 metros de altura e os poços d’água conhecidos como “fervedouros”. E não deixe de praticar canoagem ou rafting.
5 dias: não perca a vista do mirante da Serra do Espírito Santo e o banho na prainha da Cachoeira Velha. Em Mateiros, vá ao povoado quilombola de Mumbuca para conhecer o artesanato feito com capim-dourado.
Viajar com Crianças
Não existe grande infraestrutura de apoio na região e os restaurantes e pousadas são escassos. Além do mais, os pequenos podem se cansar com o sol escaldante e nos longos trajetos sacolejando nos veículos 4x4.
Acessibilidade
Pessoas com mobilidade reduzida podem praticar rafting, desde que tenham movimento nos braços. Consulte as empresas especializadas sobre condutores capacitados para esse tipo de atendimento. As trilhas que levam aos poços de banho e ao mirante da Serra do Espírito Santo não têm acesso adaptado.
Turismo Responsável
A preocupação com a sustentabilidade ambiental e social está presente em grande parte das atividades de aventura oferecidas no Jalapão. Não só por parte do poder público, com a implantação do Parque Estadual do Jalapão, como também das empresas privadas, que se tornaram modelo de turismo de mínimo impacto. Vale conversar com os locais e agendar uma palestra no Centro de Visitantes do Parque Estadual para saber mais sobre essas e outras questões, como a regulamentação da extração de capim-dourado e os impactos na economia da região.
Como comprar uma viagem para este destino
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A Paisagem

O vento que incide sobre a Serra do Espírito Santo e desgasta suas encostas de quartzo muda constantemente a paisagem do Jalapão, enchendo as estradas de areia e formando dunas que podem chegar a 40 metros de altura. Na planície, a paisagem se alterna entre campos cobertos por vegetação rasteira, arbustos retorcidos característicos do Cerrado e as veredas de buritis. É nesse cenário que se encontra a jalapa, uma plantinha medicinal bastante frequente que deu nome à região.
A Vida Selvagem
Graças ao isolamento, o Jalapão é refúgio seguro para uma infinidade de bichos do Cerrado, como a onça-pintada, o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro, o lobo-guará, a jaguatirica e o cachorro-vinagre. Avistá-los não é muito fácil, dada a grande extensão do território. Bem mais provável é que você encontre um tatu-peba ou alguma cobra atravessando a estrada. De manhã e ao cair da tarde, o espetáculo fica por conta das mais de 130 espécies de aves já catalogadas na região, entre elas três espécies de araras e o raro pato-mergulhão.
O Povo da Região
Onde foi parar todo mundo? Talvez você se faça essa pergunta ao andar por um dos lugares com menor densidade demográfica do Brasil. No miolo do Jalapão, ela não chega a 1 habitante por quilômetro quadrado. As principais cidades para quem visita a região são as diminutas Ponte Alta do Tocantins e Mateiros (respectivamente, 7 mil e 2 mil habitantes). Elas se desenvolveram com a chegada de migrantes nordestinos no final do século 19 e de povos remanescentes de quilombos, que no começo do século 20 formaram uma comunidade fechada que hoje sobrevive da agricultura de subsistência, do turismo e da venda do artesanato feito com capim-dourado.