O relógio pantaneiro está no céu. Melhor dizendo, nas nuvens. As chuvas é que comandam a rotina desta planície sobre a qual deságuam numerosos rios vindos do planalto. Durante parte do ano, as águas cobrem os campos, determinando que homens e bichos convivam juntos em faixas estreitas de terra. Na seca, a água evapora e os animais retomam seus devidos lugares nas grandes fazendas de gado ou no único Parque Nacional a proteger a região, o do Pantanal Matogrossense.
Embora mais próximo da capital do Estado que o Pantanal Sul (Cuiabá está a cerca de 100 quilômetros), o trecho norte da planície pantaneira só começou a receber turistas há pouco mais de três décadas. Antes, era quase exclusividade dos entusiastas da pesca esportiva, que aqui encontram alguns dos rios mais piscosos do país.
Hoje, mesmo com a presença de alguns hoteis e pousadas, a parte do Pantanal situada no Estado do Mato Grosso (um terço de toda a planície) ainda é um lugar de difícil acesso, atravessado por uma única e precária rodovia: a mítica Transpantaneira. Cruzar suas 126 pontes de bike ou de veículo 4x4, cercado de bichos por todos os lados, é uma das muitas aventuras que o Pantanal Norte reserva aos viajantes.
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Por estar mais próxima da cabeceira dos rios que nascem no planalto, o Pantanal Norte é o primeiro a alagar com a chegada das cheias. Daqui, a água vai, aos poucos, descendo em direção ao sul. A vegetação dos dois Pantanais é semelhante, mas aqui ela sofre a influência da Amazônia, não muito distante. Em certas áreas do Parque Nacional, é comum encontrar vitórias-régias, típicas da Floresta Amazônica.

Nas árvores mais altas, destacam-se os ninhos do tuiuiú, cabeça-seca e maguari. Nos remansos, é comum ver garças-reais e colhereiros atrás dos peixes que se aglomeram nestas áreas. Como prova da pureza dos rios locais, a ariranha, que só sobrevive em águas limpas, faz seu show diário, ora nadando em grupos, oramostrando toda a sua habilidade para fisgar os peixes.
A miscigenação predomina no DNA do homem pantaneiro. Os primeiros a habitar a região eram os índios guatós, dos quais ainda restam alguns poucos na região do Parque Nacional. Depois vieram os portugueses, os bandeirantes paulistas e, por fim, uma leva de pessoas do norte do país. Soma-se a tudo isso a cultura dos Pampas e do Paraguai, que veio até aqui subindo o Rio Paraguai, a única via de acesso à região durante muito tempo.
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