Na estação seca, a paisagem ressecada dos campos abre espaço para os animais ficarem ao alcance dos olhares atônitos de quem tem o privilégio de observá-los de perto. Na cheia, o espetáculo fica por conta do imenso mar de água doce que se forma com as chuvas e isola a planície do resto do mundo. No Pantanal, quem manda é a natureza: tudo aqui pulsa segundo o ritmo imposto pelas águas. Penetrar este território é como regressar a um tempo anterior à existência do homem, onde nenhuma cidade ou estrada é capaz de vencer a vontade dos rios.
Tudo que há de humano no Pantanal sul-matogrossense são as fazendas de gado, e elas são o ponto de apoio fundamental para o visitante desbravar este universo. Basta embarcar numa canoa, subir no lombo do cavalo ou acomodar-se no jipe: os bichos estarão à sua espera, milhares deles, amontoados em torno das lagoas, às margens dos rios, na copa das árvores. Este é, simplesmente, o melhor lugar do Brasil para a observação da vida selvagem. C
Conhecê-lo, contudo, exige certo desprendimento. É preciso abandonar a única estrada que cruza a região, entre Campo Grande e Corumbá, e abraçar o isolamento da maior planície alagável do mundo. É graças a ele que este lugar ainda pode ser chamado de paraíso.
Fazenda San Francisco Agro Ecoturismo Pousada e Passeios
Meio de hospedagemSite: http://www.aguape.com.br
Site: http://www.ciaeco.tur.br
Dois terços do Pantanal ficam no Mato Grosso do Sul, onde forma-se uma extensa planície tomada por rios, lagoas e pastagens naturais. Todo ano, por volta de novembro, os rios enchem e inundam os campos, transformando a paisagem numa enorme lagoa sem margens. A água começa a escoar por volta de maio, quando começa a época que antecede à seca, chamada de vazante. Nesse período, uma parte da água fica aprisionada nas partes mais baixas do relevo, formando lagoas (chamadas localmente de baías), em torno das quais concentram-se os animais.
O Pantanal na época da seca é um dos melhores lugares do mundo para se observar a vida animal. No lugar das espingardas de cano longo, comuns por aqui até a década de 80, entraram em cena as potentes lentes teleobjetivas. Safáris aqui, só se forem os fotográficos. Os mais cobiçados (pelas máquinas fotográficas) são aves como o tuiuiú e a arara-azul, assim como o jacaré-do-pantanal e a onça-pintada, ambos em franco processo de aumento em suas populações desde que a caça passou a ser combatida nesta região.
O peão pantaneiro ouve chamamé, ritmo tradicional do norte da Argentina, e toma tereré, a bebida nacional paraguaia (uma espécie de chimarrão gelado). E ainda é bom de laço, como seus pares do Pampa gaúcho. Isso tudo tem a ver com a ocupação do Pantanal no passado, quando a única ligação com o resto do mundo era pelo Rio Paraguai. Quem quisesse entrar ou sair dali, tinha que viajar de barco até o Rio da Prata, passando por lugares como Assunção, Buenos Aires e Montevidéu. Os costumes dos vizinhos acabaram criando raízes mais fortes que os do próprio país onde viviam.
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