Durante muito tempo, apenas duas palavras tinham importância no vocabulário da Serra da Bocaina. A primeira delas foi "ouro": no século 18, este lugar era uma importante rota de passagem entre as jazidas de Minas Gerais e Parati. Por aqui o ouro viajava no lombo das mulas antes de encontrar o mar e, então, sair para a Europa.
A outra palavra surgiu no século seguinte e foi "café". Subitamente, os arredores de cidades como São José do Barreiro, Areias, Silveiras e Bananal encheram-se de fazendas com a mesma velocidade com que os morros da Bocaina eram desmatados para dar lugar a cafezais. Com o tempo, veio a decadência e esses lugarejos viraram "cidades mortas", como diz o título de um célebre romance de Monteiro Lobato sobre este episódio.
Foram necessárias algumas décadas para que se ouvisse uma nova palavra de ordem por aqui, e esta passou a ser "aventura". Na década de 1970, a criação do Parque Nacional da Serra da Bocaina deu o grande impulso para a descoberta de uma nova vocação para este lugar.
Caminhos que antes serviam ao ouro e ao café passaram a ser vias de acesso a cachoeiras, vales e montanhas de grande beleza. No lugar das mulas, surgiram bicicletas, jipes e trekkers. Até a própria estrada usada para escoar ouro virou atração turística: a Trilha do Ouro hoje é uma das mais belas caminhadas do país. Um lugar onde história e natureza se encontram e se misturam.
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Operadora de atividade especializadaSituada entre os maciços da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira, a Serra da Bocaina é a divisa natural entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Ao norte, é abraçada pelo Vale do Paraíba. Ao sul, abraça a Baía da Ilha Grande, encostando seus paredões no mar. Seus picos chegam a ter mais de 2 mil metros de altitude, a exemplo do Pico do Tira-Chapéu, ponto culminante da serra, com 2.088 metros. O relevo acidentado também ajuda a formar muitas cachoeiras. A vegetação é de Mata Atlântica, com floresta densa nas encostas das montanhas e campos de altitude nas zonas acima dos 1.500 metros acima do nível do mar.
Diversas espécies da Mata Atlântica encontram refúgio na área do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Muitas delas ameaçadas de extinção, como o bugio, o muriqui, a onça-pintada e a harpia. A avistagem na fauna silvestre não é muito frequente na região, mas nas trilhas existe a possibilidade de cruzar com muitas aves e primatas como o sagui e o macaco-prego.
A pequena São José do Barreiro já teve lugar de destaque na riqueza de São Paulo, quando dezenas de fazendas de café se instalaram na região no século 19. A decadência veio no começo do século 20, quando o desenvolvimento da cidade estancou. Hoje São José do Barreiro tem apenas 5 mil habitantes, que recebem com muita simpatia os turistas que a cada ano são mais numerosos na região. Atualmente, as fontes de renda vêm basicamente da agropecuária e, com menor intensidade, do turismo.
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