No século 17, quem cruzava a Serra do Cipó, região colonizada por bandeirantes paulistas, quase não tinha olhos para suas belezas naturais. Homens de todo o Brasil vinham para a região ofuscados pela cobiça: só queriam saber das pedras preciosas do Arraial do Tejuco (hoje, a cidade de Diamantina). Mais de 300 anos depois, os viajantes já sabem que os tesouros do Cipó começam em suas cachoeiras, trilhas e rios, ao que se somam casarões coloniais, igrejas barrocas e um folclore que remonta às primeiras tradições dos escravos no Brasil.
E ainda tem as flores. Sobre as formações rochosas antiquíssimas que constituem essa serra, nasce o que o paisagista Burle Marx chamou de "o jardim do Brasil". Os campos rupestres florescem o ano todo. Neles, variedades de sempre-vivas, orquídeas, bromélias e outras flores são as peças de uma coleção riquíssima, que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo.
Esse patrimônio fica pertinho da região metropolitana de Belo Horizonte, e para muitos mineiros é um belo destino de final de semana. Por sorte, a infraestrutura local tem se desenvolvido consideravelmente nos últimos anos, com a criação do Parque Nacional da Serra do Cipó e de um Circuito Turístico no entorno da reserva. Nada melhor do que descobrir tudo isso a pé, de bicicleta ou a cavalo.
Bela Geraes Turismo Serra do Cipó
Operadora de receptivoAs rochas pontiagudas que brotam do chão como flechas são chamadas de "rochas em dobramento" e surgiram há milhões de anos, com os movimentos da crosta terrestre. Há 1,7 bilhão de anos, a serra foi o leito de um oceano. A água se foi, mas a areia que ficou transformou-se no quartzo que hoje predomina em seus paredões desgastados pelas intempéries e que atrai místicos de todo o país.
O relevo acidentado, com altitudes que variam entre 650 e 1.800 metros, hoje movimenta o fluxo das águas em nascentes, ribeirões, riachos e, claro, nas famosas cachoeiras de água cor de chá. Os pequenos cursos d'água dessa bacia correm todos para o Rio Cipó, que desemboca no Rio das Velhas, um afluente do São Francisco.
FAUNA
Muitos animais do Cerrado ameaçados de extinção encontram refúgio seguro no Parque Nacional da Serra do Cipó. Entre eles, estão o lobo-guará, o cachorro-do-mato-vinagre e o tamanduá-bandeira. Sua avistagem, contudo, não é muito fácil.
FLORA
A beleza e a raridade das plantas do Cipó têm impressionado pesquisadores desde os anos 1950. Mais de 1.500 espécies já foram catalogadas. Nesse tapete de cores e aromas, chamado de campo rupestre, está concentrada a maior quantidade de espécies de flores por metro quadrado do Brasil.
E se entre tantas há uma estrela, ela é a canela-de-ema-gigante, que chega a ter 6 metros de altura. Sobre ela nasce um pequeno tipo de orquídea (Constantia cipoensis). Plantas de tronco retorcido características do Cerrado, como o monjolo e o pau-terra, assim como espécies da Mata Atlântica, inclusive árvores frondosas, completam o cenário que mais parece um quebra-cabeça da botânica.
Não duvide da hospitalidade e da paciência dos mineiros. Tanto os funcionários do parque quanto os das operadoras de turismo local têm um jeito tranquilo (sem perder a eficiência) de passar as informações que o visitante procura. Conversar com um morador antigo, que conhece a serra desde antes da criação do parque, é uma boa maneira de descobrir as curiosidades dali. Você provavelmente ouvirá causos sobre Juquinha, um andarilho que gostava de distribuir sempre-vivas e até ganhou uma estátua na serra.
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