A Região das Hortênsias, na Serra Gaúcha, todo mundo conhece – nem que seja de ouvir falar. É terra de colonização alemã, chocolate e, claro, hortênsias. O que talvez não esteja em todos os catálogos é o lado B de Canela, Gramado e Três Coroas, um lado que possibilita maior contato com a natureza. Esse lado tem um cânion em formato de ferradura, correntezas que garantem a diversão a bordo de um bote de rafting, paredões para se descer de rapel, tirolesas...
Mas o bacana deste pedaço do Rio Grande do Sul é que ele permite que você estabeleça contato com muitas outras coisas. Contato consigo mesmo, por exemplo: caminhando em silêncio entre as sequóias, admirando o duplo arco-íris que se forma aos pés da Cascata do Caracol, meditando no maior templo budista do país. Que tal um contato com os outros? Basta sentar-se em torno da mesa farta do café colonial ou ao pé do fogão, ouvindo as histórias antigas da zona rural. E há, ainda, o inevitável contato com a própria infância, divertindo-se na copa das árvores em circuitos de arvorismo, conhecendo cidades em miniatura, pilotando miniaviões e, por que não?, fazendo uma visitinha ao Papai Noel.
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Vales, cânions, morros, lagos: este é o cenário que circunda a região cortada pelos rios Caí e Paranhana. Os municípios de Gramado e Canela estão assentados sobre as encostas da Serra Geral, bem no lugar entre a planície do Pampa e os campos que se estendem no topo da serra, a mil metros de altitude. Nas cidades, destaque para as hortênsias: embora famosas na região, elas não são nativas – foram trazidas pelos colonos alemães. Florescem em novembro e seguem enfeitando ruas e jardins até final de janeiro. Entre as árvores, além da araucária típica do sul do país, destaque para a caneleira, que deu origem ao nome da cidade de Canela.
Uma das aves mais características da Serra Gaúcha é o papagaio-charão, geralmente encontrado onde houver matas de araucária (é do pinhão que ele se alimenta). Em projeto de lei da Câmara dos Vereadores de Gramado, a espécie foi oficializada como o símbolo da cidade. Outros pássaros característicos da região são a gralha-azul, a perdiz, a garça, o quero-quero e o joão-de-barro. Na mata, olho vivo para flagrar o serelepe (espécie de esquilo) e o quati.
A pele clara, os pratos típicos, a arquitetura e mesmo o idioma – presente em um cardápio aqui, uma placa ali – não negam: estamos em território de descendentes de alemães. Além deles, deixam marcas fortes nas três cidades também os italianos, ainda que sua presença seja mais forte em municípios vizinhos. No começo do século 20, as araucárias da região de Canela eram fortemente exploradas pela indústria madeireira e, em Gramado, a agricultura era a base da economia, hoje cedendo lugar para a indústria de calçados. Mas o clima da serra, o ar europeu e as belezas naturais transformaram a região em um dos destinos de viagem mais importantes do país. Hoje o turismo é uma importante fonte de renda para a população local, que investe cada vez mais no filão da aventura, principalmente em Canela e Três Coroas.
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